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CARTEIRO DO POETA


GERÚNDIO VAI, GERÚNDIO VEM

 

PQP. Está parecendo loucura. O carteiro do poeta gostando de novela, pelo menos dos primeiros capítulos. A culpa anda sendo do Antônio Fagundes e do Juvenal Antena, duas caras do mesmo cara. Ele acabou criando um campo de força em torno do personagem, como fogo de artifício atraindo o olhar curioso e permanecendo aceso o tempo todo, o alter ego da Globo denunciando Ali Kamel nas entrelinhas, o Grande Irmão que tudo está vendo e a todos controlando. O personagem marcado na paleta, com a logo global, só pode ser encarnado por um mestre de cerimônias crível, para vestir com sua imagem inquestionável a pele da mente de cada telespectador. A cultura do momento. Tudo assim: claro e supostamente urgente, intenso e pretensamente único.

 

A única coisa imperceptível está sendo a ligação, o fio que vai prendendo uma coisa a outra, o padrão Globo de qualidade, o figurino físico e espiritual do Antena como uma luva nas mãos do Antônio e o Juvenal como crachá global no peito do Fagundes. Assim vai ficando mais fácil ir aceitando o que está dando na tevê, sem complexo de culpa, porque a idéia que acaba permanecendo é a suposta credibilidade do veículo pelas qualidades do ator e do roteiro, além do alcance do sinal. O resto pode ir virando periférico, até a própria zona Sul, quando as prioridades em jogo estão colocando em risco a hegemonia. 

 

Eu nem estava prestando muita atenção na tevê. Quando minha filha, Íris, chegou questionando o porquê da comunidade “no vela” no meu orkut. Lá pelas nove e pouco da noite fui sendo pego com a mão na massa. Pode ser dividendo das ligações do Fagundes com as propagandas petistas, há algum tempo. E a história sendo interessante, acaba valorizando o que a classe dominante não gosta de ir admitindo como sujeito da cena, só de usar consumindo como figurante.

 

A  presença da Globo e o que ela vem representando na ditadura cultural brasileira está garantindo, na história do país, seu lugar marcado e permanente como uma grande e dolorosa cicatriz da velha fratura institucional exposta: a cultura do atalho político no entulho institucional. Outro tipo de miséria: a que vai sobrevivendo do grande lixão cultural que as elites andam defecando no vaso da sala.

 

Coisa que o governo Lula ainda não está logrando êxito em democratizar, porque só tem cura passando pela democratização da liberdade de imprensa: uma verdade inconveniente, condenada a uma das mãos: a mão única. Será preciso ir amputando de volta do corpo de quem a transplantou da realidade para a ficção e anda tomando conta dos horários nobres.

 

Aqui em São Borja, o carteiro do poeta vai encontrando um (su)jeito de fazer algo parecido com jornalismo, sem abrir mão da militância política. Ancorando a Tribuna Livre em uma rádio comunitária local (ainda não está dando para botar na rede, nem sei se vai dar). O único formato possível, contemplando a democracia radical, inclusive para ele (carteiro de poeta: dois traços de uma personalidade pretensamente ampla, eu).

 

A Agência Chasque de Notícias também vai sendo presença constante na ordem de cada dia, com a Radioagência NPO RS Urgente e Diário Gauche, Conversa Afiada, Sivuca e Rede Blogo e BlogoleoneE “otras cositas”, como sinopse da Radiobrás, Carta Maior e CapitalE o principal: as pessoas transitando por aqui, estacionadas em algum lugar ou idéia fixos ou em movimento (social).  

 

Obrigado a estar trancando o curso de jornalismo na Unipampa, por falta de pernas, até criar novas asas, vai arrancando com o próprio bico as últimas penas velhas e, afinal, inúteis, para ir renascendo da cinzas. Ou das penas. Aulas em dois turnos, manhã e tarde, de terça à quinta (agora também à noite, alguns dias da semana), com sextas e sábados inteiros vagos, vão impedindo a participação de trabalhadores (mesmo os desempregados) nativos na brincadeira. Coisas da vida. Ou alguma outra interpretação mais apropriada. No melhor sentido que as palavras forem merecendo e a atitude credenciando.

 

Dissidente do governo do Distrito Federal, o carteiro do poeta vai continuar jogando gerúndio, ou barro, no fogo (querendo fazer tijolo) e botando pulga atrás da orelha de quem não está se enxergando e nem querendo ver. Quem sabe a gente vai ajudando. E acordando junto.

 

O pôr do sol, não sendo a novela das sete, é roubo do poente argentino por um horizonte brasileiro, a curva do rio, no fundo do cais do porto, em São Borja. Poesia não vive só sendo tinta em papel. Isso é só a cicatriz do risco de estar sendo literário.



Escrito por Eduardo Martinez às 08h50
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