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CARTEIRO DO POETA


PAPAGAIO-BOMBA

Cuidado com o papagaio. Há muita ave dessa espécie que transmite intensa capacidade de persuasão. Não me refiro a da retórica do bicho, que não persuade ninguém, mas a da dialética do dono do ombro que lhe serve de poleiro, esse sim é sempre cheio de palavrões em todas as línguas. O carteiro e o poeta acreditam que o papagaio do ombro acima é veríssimo, enquanto o louro do “ombro armas!” é inveríssimo. Até aí tudo bem. A porca torce o rabo mesmo é se houver confusão entre ordem unida e construção coletiva. Ditas pelo papagaio errado, o sentido vira sen-ti-do! Porque não dizem sub-me-ti-do de uma vez? Se for o ocaso deste curto período de democracia quase republicana, deu pra bola e nem deu no couro. Alguém vai dizer: ninguém mandou dar bola pro coro e vaiar por vaiar. Acho que não é preciso identificar a fonte do texto abaixo, que tem um título sugestivo: cumplicidade. O autor é Veríssimo, Luis Fernando. Abre aspas.

 

Uma comprida palavra em alemão (há uma comprida palavra em alemão para tudo) descreve a "guerra de mentira" que começou com os primeiros avanços da Alemanha nazista sobre seus vizinhos. A pouca resistência aos ataques e o entendimento com Hitler buscado pela diplomacia européia mesmo quando os tanques já rolavam se explicam pelo temor comum ao comunismo. A ameaça maior vinha do Leste, dos bolcheviques, e da subversão interna. Só o fascismo em marcha poderia enfrentá-la. Assim muita gente boa escolheu Hitler como o mal menor. Ou, comparado a Stalin, o mau menor. Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo, e dizem até que o rei Edward VIII foi obrigado a renunciar não só pelo seu amor a uma plebéia mas pela sua simpatia à suástica. Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas por algum tempo os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo - inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.

Comunistas aqui e no resto do mundo tiveram experiência parecida: apegarem-se, sem fazer perguntas, ao seu ideal, que em muitos casos nascera da oposição ao fascismo, mesmo já sabendo que o ideal estava sendo desvirtuado pela experiência soviética, foi uma opção pela cumplicidade. Fosse por sentimentalismo, ingenuidade ou convicção, quem continuou fiel à ortodoxia comunista foi cúmplice dos crimes do stalinismo. A coisa certa teria sido pular fora do coro, inclusive para preservar o ideal.

Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.

Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.

 

Fecha aspas. Olhe bem, preste atenção. É fantástico. O chô da vida: "o museu de grandes novidades". É, o tempo não pára.



Escrito por Eduardo Martinez às 14h17
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